Responsabilidade civil médica e diagnóstico clínico mediado por inteligência artificial padrões globais de conduta profissional e lições do caso judicial Sampson v. Heartwise Health Systems (2023)

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Rafaella Nogaroli

Resumo

O artigo analisa os impactos éticos e jurídicos do diagnóstico clínico mediado por inteligência artificial (IA), evidenciando como essa tecnologia ressignifica os deveres de conduta médica e amplia o papel da responsabilidade civil na orientação de condutas e gestão de riscos na prática clínica. A investigação parte do caso judicial Sampson v. HeartWise Health Systems (Estados Unidos, 2023), que ilustra os riscos decorrentes da confiança acrítica em sistemas decisionais automatizados. O estudo adota abordagem qualitativa, de natureza jurídico-dogmática e comparada, combinando análise jurisprudencial, revisão de literatura especializada e exame de diretrizes éticas internacionais. A partir do caso paradigmático estadunidense, identificam-se padrões emergentes de conduta profissional e analisam-se recomendações elaboradas por organismos médicos e regulatórios dos Estados Unidos e da Europa, convergentes na afirmação da IA como instrumento de suporte ao julgamento clínico humano. Na etapa final da análise, examina-se a recente Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) nº 2.454/2026, que disciplina o uso da IA na prática médica no Brasil, demonstrando como a nova norma se insere em uma tendência regulatória que vem sendo consolidada no plano internacional. Conclui-se que a IA não desloca o centro decisório da prática médica, mas eleva o patamar de diligência exigido do profissional, ressignificando deveres e inaugurando um novo paradigma de responsabilidade civil preventiva na Medicina contemporânea.

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Como Citar
NOGAROLI, Rafaella. Responsabilidade civil médica e diagnóstico clínico mediado por inteligência artificial: padrões globais de conduta profissional e lições do caso judicial Sampson v. Heartwise Health Systems (2023). Revista IBERC, Belo Horizonte, v. 9, n. 1, p. 110–139, 2026. DOI: 10.37963/iberc.v9i1.384. Disponível em: https://revista.iberc.org.br/iberc/article/view/384. Acesso em: 1 maio. 2026.
Seção
Doutrina Nacional
Biografia do Autor

Rafaella Nogaroli, Universidade Federal do Paraná

Pesquisadora e escritora internacional. Autora de mais de 80 artigos publicados em periódicos e livros ao redor do mundo sobre Direito Médico, responsabilidade civil e novas tecnologias. Autora do livro 'Responsabilidade Civil Médica e Inteligência Artificial' (2023), publicado em português pela Thomson Reuters Brasil (Revista dos Tribunais', e da versão traduzida e expandida 'Medical Liability and Artificial Intelligence: Brazilian and European Legal Approaches' (2025), publicada pela editora europeia Springer Nature. Coordenadora da obra coletiva 'Debates Contemporâneos em Direito Médico e da Saúde' (2 edição 2022), publicada pela Thomson Reuters Brasil. Coordenadora da obra coletiva 'Direito Médico e Bioética: Decisões Paradigmáticas' (2025), publicada pela Foco. Coordenadora da coluna 'Migalhas de Direito Médico e Bioética'. Presidente do Instituto Miguel Kfouri Neto (IMKN) - Direito Médico e da Saúde (2024-2027), instituição que promove atividades acadêmicas, com cerca de 200 membros, incluindo juízes, promotores, advogados, médicos e enfermeiros de diversos estados do país. Foi coordenadora do grupo de pesquisas 'Direito da Saúde e Empresas Médicas' no UNICURITIBA (2017-2023), supervisionando uma equipe diversificada de aproximadamente 100 pesquisadores. Supervisora Acadêmica e professora do curso de especialização em Direito Médico e Bioética da EBRADI. Advogada, com 7 anos de experiência como assessora de desembargador, no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR). Mestre em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Diretora e associada do Instituto Brasileiro de Estudos de Responsabilidade Civil (IBERC). Professora convidada desde 2021 em cursos de extensão e no curso de especialização em Direito da Medicina, do Centro de Direito Biomédico da Universidade de Coimbra (Portugal), onde atuou como pesquisadora visitante em 2024.